Não se ultrapassa o Fangio

Arquivos 31 Jul 2018

Não se ultrapassa o Fangio

Por Bruno Machado

Em 1958, Juan-Manuel Fangio, 47 anos, decide que esta será a sua última temporada na Fórmula 1. Não tendo já nada a provar, o ainda campeão do mundo despede-se participando em duas corridas do campeonato, além de outras corridas não contabilizadas: o Grande Prémio da Argentina e o Grande Prémio de França, onde iniciara a sua carreira internacional dez anos antes.
 
Assim, frente ao público de Buenos Aires, Fangio faz o melhor tempo das qualificações ao volante do seu Maserati 250F com uma vantagem de 6 décimas sobre o Dino 246 de Mike Hawthorn.
 
Apesar de uma partida falhada em que é ultrapassado por Behra e Hawthorn, El Maestro, a “jogar em casa”, faz mais uma demonstração do seu talento, recuperando o primeiro lugar inicial, afastando-se cada vez mais da ameaça do segundo classificado, Stirling Moss num Cooper-Climax, ao ponto de bater o seu próprio tempo de qualificação. Os pneus, não aguentando o ritmo infernal do argentino, obrigam-no a efectuar uma paragem nas boxes, marcada pela desorganização da sua equipa e que o atirou para o quarto lugar. Ao regressar à pista, Juan-Manuel Fangio volta ao ataque, consegue subir para o terceiro posto, mas desta vez é o sobreaquecimento do motor que lhe estraga a corrida. Fangio acaba em quarto, mas com a vitória de Stirling Moss num Cooper-Climax, o Grande Prémio da Argentina vê a primeira vitória de um carro de Fórmula 1 com motor central traseiro!
 
É então no Circuito de Reims, em França, no dia 6 de Julho de 1958, no mesmo palco em que se deu a conhecer ao mundo que o menino prodígio de Balcarce faz a sua última corrida de Fórmula 1. Fangio regressa ao campeonato do mundo ao volante do novo Maserati “Piccolo”, um 250 F mais pequeno e mais leve. Estas evoluções não permitem a Fangio ir além do oitavo tempo nas qualificações, apesar de ser o Maserati mais bem classificado. Durante a corrida, com um carro difícil de conduzir, Fangio nada pode fazer face aos três pilotos da Ferrari (Mike Hawthorn, Luigi Musso e Peter Collins) que monopolizam as três primeiras posições. Um domínio da Scuderia que não durou até ao fim da corrida, pois Collins vê-se confrontado com problemas nos travões enquanto Musso, sob pressão para não se deixar distanciar por Hawthorn não consegue segurar o seu Ferrari que sai da pista, um acidente que se revelaria fatal para o piloto italiano.
 
A corrida prosseguindo, Hawthorn segue isolado em primeiro lugar ao ponto de, já perto da chegada estar prestes a ultrapassar um carro vermelho que seguia em quarto lugar. Mas não era um carro qualquer. Era sim o Maserati de Juan-Manuel Fangio, cinco vezes campeão do mundo. Em sinal de respeito, pelo piloto e pelo homem, Hawthorn tira o pé do acelerador e decide não ultrapassar Fangio. Quando questionado sobre essa atitude, o gentleman Mike Hawthorn respondeu: “Não se ultrapassa um homem destes!”.
 

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TAGS: F1 Juan-Manuel Fangio Mike Hawthorn


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