Cápsulas do Tempo: O automóvel e o Feminino

Eventos 09 Jul 2018

Cápsulas do Tempo: O automóvel e o Feminino

Por Pedro Pais Cardoso

Em recente visita à “Casa Museo Enzo Ferrari”, que ilustro de forma sumária nas fotos que acompanham este artigo, pude admirar a exposição actualmente em exibição, intitulada “Il Rosso e Il Rosa”, ou em bom Português, o Vermelho (cor por excelência da Ferrari) e o Rosa (cor historicamente associada às mulheres e à feminilidade).
 
A exposição patente, ilustra a evolução da relação que o mundo automóvel, e neste caso a marca de Maranello, manteve ao longo das décadas com o sexo feminino. Desde a mulher como fonte de inspiração para a criação automóvel, até à mulher, como protagonista principal aos comandos dos diversos modelos da marca do “Cavallino Rampante”.
 
Poderia aqui enumerar as inúmeras mulheres que foram agraciando com a mestria da sua condução, as estradas e as competições internacionais nas suas mais diversas categorias, desde a francesa Michele Mouton à nossa Elisabete Jacinto, porém, creio que a importância das mulheres no mundo automóvel transcende em muito a perícia e combatividade que sempre colocaram em pista.
 
Sou do entendimento que a Mulher, é, de todas, a maior fonte de inspiração da criação automóvel. E porque digo isto?
 
Há uns tempos atrás enquanto assistia ao documentário “Speed Style and Beauty”, dedicado àquela que considero uma das melhores colecções privadas do mundo – a colecção automóvel do conceituado estilista americano Ralph Lauren – retive a frase na qual o protagonista afirmava que a grande fonte de inspiração para as suas colecções de roupa, provinha dos automóveis da sua colecção, tendo sempre em mente, as mulheres que vestiriam mais tarde as suas criações.
 
Não posso precisar se foram estas as palavras ao certo, mas recordo que a determinado momento, o estilista afirmava que as suas criações integravam pormenores estilísticos, cromáticos, figurativos, fornecidos pelos detalhes estéticos dos seus automóveis, e que eram assim introduzidos e assimilados por mulheres em todo o Mundo conferindo à marca o sucesso que todos nós conhecemos.
 
Os exemplos estão em todo o lado, desde o cinema, às artes plásticas, passando pela música, com intérpretes tão distintos quanto Roger Vadim e a sua musa Brigitte Bardot; Andy Warhol, ou mais recentemente Jay Kay e Mónica Cruz. O elemento feminino sempre presente, binómio invencível, muitas das vezes acompanhado pelo trovar de um V12 como banda sonora.
 
Não necessitamos porém de ir tão longe. Quantos de nós não nos imaginámos em sonhos de adolescente, a conduzir a céu aberto acompanhados pela mulher dos nossos sonhos! E quantos desses sonhos não caiam invariavelmente na falsa crença de que, na posse “daquele desportivo” as nossas chances de chamar à atenção da nossa amada aumentariam exponencialmente!
 
Tudo falsas crenças, felizmente para a maioria de nós, no entanto, nestas coisas do estilo e da sensualidade, os Italianos são catedráticos, e por alguma razão, automóvel em Itália é no feminino – “La Macchina”.
 
É impossível dissociar as sinuosas linhas de um Alfa Romeo 33 Stradale, das formas de uma bela estrela do cinema italiano dos anos 60! Provavelmente Franco Scaglione não teve isso em mente, mas o impacto estético que a sua criação teve nas estradas daquela época, só pode ser comparado ao que Sophia Loren teve no pobre Mastroianni em “Ontem, Hoje e Amanhã”.
 
Homens que somos, com todas as nossas fraquezas e virtudes, há algo a que não conseguimos fugir desde tempos imemoriais, o apelo pelo belo, seja ele na forma de uma linda mulher ou de uma criação barulhenta dos mestres italianos. A verdade é só uma, seja com elas ou por elas, à Mulher temos de agradecer pela inspiração que a sua presença, ou o seu alheamento, desde sempre conferiram à indústria automóvel e às suas mais belas criações.
 

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