Clássicos estão em risco em Cuba

Clássicos 10 Ago 2017

Clássicos estão em risco em Cuba

Se há uma imagem de marca para Cuba, ela passa certamente pelos automóveis clássicos, principalmente os enormes sedan de luxo importados pelos americanos ricos na década de 50. Com o ditador Fulgencio Batista e apenas a 90 milhas de distância de Miami, Cuba foi um popular destino de férias para os americanos na década de 50. Foram eles que importaram para Cuba cerca de 125 mil automóveis fabricados em Detroit, automóveis esses que acabaram por ser abandonados quando Castro subiu ao poder, em 1959.
 
Embora Cuba seja conhecida pela sua frota de automóveis, a propriedade real de automóveis em Cuba é relativamente baixa, com apenas 60 mil carros entre 11 milhões de cubanos. Os automóveis mais luxuosos que percorriam as ruas eram mesmo os clássicos importados da América, uma vez que o salário médio diário em Cuba era de apenas 22 dólares.
 
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À medida que a aproximação cubano-americana progrediu, houve especulações de que os coleccionadores automobilísticos americanos teriam a oportunidade de comprar exemplares de clássicos dos anos 40 e 50 e trazê-los de volta aos Estados para os restaurar. Apesar de Cuba parecer um verdadeiro tesouro de clássicos americanos, a maioria dos automóveis encontravam-se em muito mau estado de conservação. Não é que os proprietários não tivessem um enorme gosto pelos seus carros, mas não procediam à sua devida manutenção e eram utilizados como veículos do dia-a-dia. Motores a diesel vieram substituir os V6 e V8 americanos e as peças eram substituídas pelo que se pudesse encontrar pela ilha, ou seja, eram haviam poucas peças especializadas disponíveis.
 
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Em 1959 o governo comunista cubano liderado por Fidel Castro chega ao poder e proíbe as importações de automóveis estrangeiros e peças de automóveis. Tendo em conta o salário mediano do país e a falta de peças de automóveis estrangeiros, eram poucos os coleccionadores que ainda esperavam qualquer “achado” nas garagens de Havana.
 
Actualmente os cidadãos cubanos podem comprar automóveis e peças estrangeiras, embora consoante o pagamento de uma taxa considerável, o que prometia uma mudança nas próximas décadas e uma oportunidade de negócio única para os locais.
 
Acontece que tudo isto pode ter os dias contados devido, uma vez mais, à política. Donald Trump ameaça revogar o acordo que aproximou Cuba dos Estados Unidos, assinado no anterior mandato de Barack Obama.
 
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Fotos: Jan Arendtsz e Domenico Briguori



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