Nicha Cabral, o mais internacional piloto português

Arquivos 17 Mai 2012

Nicha Cabral, o mais internacional piloto português

Mário Manuel Veloso de Araújo Cabral, mais conhecido em Portugal e nas ex-colónias portuguesas por “Nicha” Cabral, nasceu no Porto em 15 de Janeiro de 1934. É aos 21 anos que logo se inicia no automobilismo de competição, em 1955, ao volante de um Triumph TR2, com 90cv. Também conhecido no automobilismo além fronteiras como De Cabral, foi talvez o melhor piloto de automóveis de todo o Portugal e ex-colónias, tornando-se conhecido ao “dar show”, nos anos 70, no Autódromo do Estoril, mas sobretudo pelas as inúmeras e aguerridas disputas com outro ás do automobilismo português, António Peixinho. Nessa época, quase radicado em Angola, as suas façanhas automobilísticas fizeram vibrar os portugueses, em ambos os continentes. De facto, Nicha foi protagonista, a par de Peixinho, de um dos maiores desafios comerciais entre duas marcas que, em Angola, faziam o seu marketing nas pistas: a Autocal, que representava a BMW (de Mota Veiga) e a Socoína , que representava a Alfa Romeo (de Pinto da Fonseca). Os sucessivos “rounds” começaram por confrontar o 2002ti Schnitzer de Nicha contra os GTA – e mais tarde contra o Alfa Romeo T33 – de Peixinho. Seguidamente, em resposta ao T33, Nicha desloca-se à antiga RFA (a expensas da Autocal) indo buscar um BMW 2800 CS Schnitzer. A Socoína responde com um GTAm…
O “cachimbo da paz” haveria apenas de ser fumado quando ambos os pilotos partilharam o volante do Lola T2292 BMW Schnitzer que a Autodel – Clube do Autódromo, entregou aos dois pilotos até então rivais.
Mas a verdade é que o público só conhecia “a ponta do iceberg” pois, muito cedo, este piloto de excelência, emigrou para o sonho de uma carreira europeia na Fórmula 1.

O grave acidente em Rouen

Em 1965 deu-se, no entanto, um grande revés na carreira do já então rapidíssimo e internacional piloto português, no circuito de Rouen: inscrito pela Sorocaima, Nicha alinhava com um Brabham-Cosworth SCA BT16 no GP de França de F2, quando um grave e aparatoso acidente interrompe abruptamente a sua carreira, limitando-o a uma cama de hospital durante seis meses e mantendo-o afastado das pistas por 2 anos.
Mas Nicha era “mais de quebrar do que de torcer” e, após um grande período de convalescença, regressou à corridas e às vitórias. Em 1967 volta a entrar em cena e fá-lo pela porta grande vencendo o V Circuito de Montes Claros ao volante do novíssimo Porsche Carrera 6, afastando assim, de forma gloriosa, quaisquer “fantasmas” originados pelo acidente de Rouen.
Apesar desse percalço, a sua carreira viria a coroar-se de enormes êxitos ao volante de inúmeros automóveis, nas categorias de Sport e de Turismo, chegando a regressar, em 1973, às provas de Fórmula 2, com um March 732/BMW da Equipa STP March Racing.
Talvez tenha mesmo sido o piloto português com experiência na maior variedade de modelos, tendo atingindo o mais destacado lugar do pódio com quase todos. Como referi, Nicha Cabral iniciou-se com um Triumph TR2 correndo também com os seguintes automóveis: VW Karmann-Ghia, Mercedes Benz 300 SL, Alfa Romeo Giulietta spider, Alfa Romeo Giulietta SV, Maserati 300 S, Volvo PV544 Sport “marrecco”, Cooper Maserati 2.5 T51 (F1), Volvo 121 Amazon, Cooper Climax 2.5 T51 (F1), Porsche 550 RS, Porsche 718 RSK, Cooper Climax (F2), Austin Mini Seven 850, Cooper Maserati 1,5 T51 (F1), Porsche 787, Lotus Elite, Jaguar E type, Cooper Maserati T53 (F1), Cooper Climax T60 (F1), Morris Cooper S 970, ATS GT 2.5, Lotus Elan Racing, ATS Derrington-Francis (F1), Alfa Romeo GTA, Iso Grifo A3C GT, Brabham Cosworth SCA BT16 (F2), Porsche Carrera 6, Porsche 911S, Lamborghini Miura P400, Ferrari Dino 206S, Lotus Elan, Porsche 910, BMW 2002 Ti Schnitzer, Porsche 907, Gropa BRM V8 CMC, BMW 2800 CS Schnitzer, Porsche 908-2, Porsche 917 4.5, Lola T290 FVC Mader, Lola T280 Cosworth DFV, BMW 2002 Ti, Lola T292 FVC 1.8, Lola T292 BMW Schnitzer,March 73S BMW, March 732 (F2), Chevron B21, March 74S Ford, March 75S Hart BDG, Ford Capri RS 3100, Ford Sierra XR4 Ti, Ford Fiesta e Rover 25 (campeões Galp), Hyundai Accent.
Mário Manuel Veloso de Araújo Cabral, ou “Nicha” como foi carinhosamente apelidado, é talvez considerado como o melhor piloto português, mas é seguramente um dos melhores, e garantidamente, o mais internacional de todos e de todos os tempos.

Texto: Jornal do Clássicos / Ricardo Duarte
Imagens: Ricardo Duarte, revista Mundo Motorizado, revista ACP, Adrivo Magazin, revista Escape, Luis Sousa/Bélgica, Talento/Adelino Dinis, Pedro Ilha, Tukutuku/Tony Almeida, Sanzangola, Mazungue, Adalberto Xavier, Ricardo Santos, revista Equipa, revista Autódromo, Jornal Motor, Sportscar Portugal/Ricardo Grilo, João Abreu e revista Jornal dos Clássicos.



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João BarrosJoaquim Lemosa. santos Recent comment authors
João Barros
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João Barros

Conheci-o pessoalmente muito bem, gostaria de saber como contactá-lo, por e.mail ou carta

Joaquim Lemos
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Joaquim Lemos

Nicha Cabral foi um piloto fenomenal. Não o conheci pessoalmente mas pelas revistas “Equipa” sobre provas de velocidade em Angola, ele estava classificado como piloto nº1. Era um piloto que pouco utilizava o travão, raramente os stops acendiam as entradas em curva eram asseguradas pela caixa de velocidades, por esse facto a meio das provas já não tinha embraiagem. Esses eram os comentários feitos pelas reportagens. Gostaria de saber algo mais sobre ele e se ainda vive pela Europa. Deixei de escutar algo a seu respeito desde 1974

a. santos
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a. santos

Muito bem.